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E se o sentido da vida nunca tivesse dependido de sobreviver à morte?
A filosofia ocidental fez, desde o Fédon, sempre a mesma pergunta diante da morte: o que resta de mim? Este livro sustenta que essa não é a pergunta - é apenas uma pergunta. E que a filosofia chinesa clássica, ao longo de dois milênios, construiu um repertório inteiro de sentido para a finitude sem jamais precisar respondê-la.
Sob uma cosmologia que tornava impensável a persistência de um sujeito - o qi que se condensa em formas e se dispersa de volta -, a China ergueu três regimes completos de sentido para a morte. E em nenhum deles alguém sobrevive.
Xunzi mostra que o luto pode ser inteiramente organizado sem crença alguma: o rito não expressa a dor, ele lhe dá forma, duração e termo. Zhuangzi mostra que o medo pode ser dissolvido sem promessa alguma. O culto ancestral produz permanência sem produzir um sobrevivente - um circuito que funciona haja ou não alguém no altar. E Zhu Xi, no século XII, alcança a formulação mais radical de todas: um rito pode ser sincero e eficaz sem que quem o executa saiba se há alguém do outro lado.
Deste percurso extrai-se uma tese de alcance filosófico geral: sentido e sobrevivência são categorias separáveis. Cai, com ela, a inferência niilista - não há sobrevivência, logo não há sentido - e cai também a sua simétrica, a inferência teológica. Ambas repousavam num pressuposto que ninguém examinou.
Este não é um livro de sabedoria oriental. É um argumento filosófico, e um argumento que se expõe: cada capítulo nomeia os seus críticos, formula as objeções na sua forma mais forte e concede o que procede. Há um capítulo inteiro - o contraditório ocidental - em que a tradição reconstruída sai pior, e onde as objeções da privação e da assimetria modal são aceitas sem atenuação. Uma tese que sai ilesa de uma confrontação não foi confrontada.
Com 20 figuras analíticas e 20 tabelas que não ilustram o texto: avançam-no.
Para leitores de filosofia da morte, filosofia comparada, sinologia, teoria política e antropologia do ritual.
Dobar dan! Ja sam Libroamiko, vaš književni savjetnik.
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